A esperança é a Última
que Morre (Crônica Relevante)
Lembro
bem dos meus tempos de adolescente, quando acreditava que tudo era possível.
Embalada por Legião Urbana, acreditava que podia mudar o mundo com minhas
ideias revolucionárias. E ai de quem se metesse no meu caminho, guerreava com
palavras, ideia e atitudes, desde o fato de não jogar o papel sujo de salgado no
pátio da escola, até o respeito para com o diferente. Claro! Que nesse caso era
eu. Apaixonado
por música, teatro e poesia, escrevia contos desde os nove anos, onde pude até
semanas atrás, saborear a escrita de uma criança sonhadora, apaixonada pelos
animais e pelas pessoas. Histórias que poucas pessoas conheceram, Que Sá minha
professora de português da quarta série. Até porquê aquela sala, aquele colégio, não me
pertencia. Me sentia uma estranha no meio dos iguais, andava com adolescentes
mais velhos e quase todo dia, íamos cantar junto aos rapazes que tocavam violão
no pátio da escola. Ali sim, junto à juventude revolucionária que também
acreditava que podia mudar o mundo, era o momento mais especial da manhã. Pois é, mas o tempo passa, e o tempo passou,
meus amigos mais velhos se formaram e eu voltei a minha busca por um lugar ao
sol. Não! Não foi naquele colégio que eu encontrei. Anos depois também me
formei. De lá pra cá, entre Tsunamis, mensalãos, Lula, Bush e crise Europeia. Me pergunto o que mudou. Bom, o Brasil continua sendo Penta, Nossa prefeita continua
esquentando a cadeira da prefeitura de São Gonçalo, Mas os Estados Unidos, já
não é mais a maior potência e esse país de maior preconceitos de raças elegeram
um presidente negro, entretanto ainda não fazem parte do protocolo de Quioto. A
robótica vem evoluindo a cada dia, até internet móvel é possível. Mas os
políticos insistem em continuar furtando o dinheiro do lanche nas escolas e a
educação continua sem o investimento necessário. O trânsito continua caótico e
a ponto Presidente Costa e Silva Vulgo Ponte Rio Niterói e a BR 101 já não nos
pertencem mais, foram vendidos para grupos estrangeiros Mas o tempo passa e a gente observa,
reencontra aqueles que te excluíram e percebe que hoje é a sociedade que os
excluiu, mas eles nem perceberam ainda. O tempo passa e fazemos novos amigos,
conquistamos novos amores e não os trocamos por nada. O tempo passa e os nossos
interesses ora mudam, ora se multiplicam. Hoje eu sei que não posso mudar o
mundo, mas posso contribuir para essa mudança, ainda não desisti de fazer a
minha parte, dentro de uma pequena sociedade chamada São Gonçalo, e também
descobri que para novas ideais e novos líderes nascerem, os antigos e as
antigas devem partir, para que possamos
deixar o melhor de nós para as próximas gerações. E você, qual é o seu
melhor? E o que seu, você deixaria para as próximas gerações?
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